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Ballad of Dogs' Beach: Dossier of a Crime

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O romance foi escrito no período pós-revolução de 25 de Abril de 1974. A acção situa-se no princípio dos anos 60, e retrata alguns aspectos da sociedade portuguesa em plena época da ditadura salazarista. Relata a investigação dum assassínio; e a história começa com o relatório da descoberta de um cadáver enterrado na Praia do Mastro em 3 de Abril de 1960. Mais tarde, a pol O romance foi escrito no período pós-revolução de 25 de Abril de 1974. A acção situa-se no princípio dos anos 60, e retrata alguns aspectos da sociedade portuguesa em plena época da ditadura salazarista. Relata a investigação dum assassínio; e a história começa com o relatório da descoberta de um cadáver enterrado na Praia do Mastro em 3 de Abril de 1960. Mais tarde, a polícia descobre tratar-se do major Luís Dantas Castro, um militar preso por tentativa de rebelião contra o regime vigente e que escapara da prisão.


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O romance foi escrito no período pós-revolução de 25 de Abril de 1974. A acção situa-se no princípio dos anos 60, e retrata alguns aspectos da sociedade portuguesa em plena época da ditadura salazarista. Relata a investigação dum assassínio; e a história começa com o relatório da descoberta de um cadáver enterrado na Praia do Mastro em 3 de Abril de 1960. Mais tarde, a pol O romance foi escrito no período pós-revolução de 25 de Abril de 1974. A acção situa-se no princípio dos anos 60, e retrata alguns aspectos da sociedade portuguesa em plena época da ditadura salazarista. Relata a investigação dum assassínio; e a história começa com o relatório da descoberta de um cadáver enterrado na Praia do Mastro em 3 de Abril de 1960. Mais tarde, a polícia descobre tratar-se do major Luís Dantas Castro, um militar preso por tentativa de rebelião contra o regime vigente e que escapara da prisão.

30 review for Ballad of Dogs' Beach: Dossier of a Crime

  1. 5 out of 5

    Paulla Ferreira Pinto

    Citando Lobo Antunes no prefácio desta edição: “Por favor, leiam-no: é uma imensa prenda que darão a vós mesmos”.

  2. 4 out of 5

    Ana

    "Eu creio que o medo é uma forma dramática de solidão. Uma forma limite também, porque corresponde à ruptura do equilíbrio do indivíduo com aquilo que lhe é exterior. Mas o pior é que essa ruptura acaba por criar uma lógica de defesa, eu pelo menos apercebi-me disso, a lógica do medo vai estabelecendo certas relações alienadas de valores até um ponto em que se sente que o medo se torna assassino" – Arq. Fontenova, em conversa com o autor, Verão de 1980. (Apêndice, p. 242) Balada da Praia dos "Eu creio que o medo é uma forma dramática de solidão. Uma forma limite também, porque corresponde à ruptura do equilíbrio do indivíduo com aquilo que lhe é exterior. Mas o pior é que essa ruptura acaba por criar uma lógica de defesa, eu pelo menos apercebi-me disso, a lógica do medo vai estabelecendo certas relações alienadas de valores até um ponto em que se sente que o medo se torna assassino" – Arq. Fontenova, em conversa com o autor, Verão de 1980. (Apêndice, p. 242) Balada da Praia dos Cães , um romance ao estilo policial noir, relata-nos a investigação de um homicídio e, sendo ficção, baseia-se num acontecimento verídico. Como o autor refere na Nota Final, em 1961 chegou-lhe às mãos o relato de um homem condenado pela co-autoria de um homicídio. Após o 25 Abril de 1974 o autor acedeu aos relatórios dos dois processos-crime respectivos, da Polícia Judiciária e da PIDE. Com base nessa documentação JCP parte para a criação desta obra ficcional. A separação entre os domínios ficcional e real é-nos assim descrita pelo autor: […] entre o facto e a ficção há distanciamentos e aproximações a cada passo, e tudo se pretende num paralelismo autónomo e numa confluência conflituosa, numa verdade e numa dúvida que não são pura coincidência. (Nota final, p. 244) No romance, cuja acção decorre em 1960, o enredo gira em torno do assassinato do major Dantas Castro, evadido da cadeia de Elvas onde estivera detido por tentativa de rebelião contra o regime salazarista. São companheiros de fuga, o aquitecto Fontenova, também preso político, e o cabo Barroca, militar em serviço na cadeia e facilitador da evasão. Filomena (Mena), amante de Dantas Castro, é cúmplice dos fugitivos. Com o consentimento da PIDE, a investigação do homicídio fica a cargo de Elias Santana, chefe de brigada da Polícia Judiciária. O romance não segue o padrão do policial clássico. Muito mais do que nos deixar suspensos sobre quem perpetrou o crime, a narrativa desenvolve-se no sentido de nos deixar expectantes em relação às motivações que lhe estão subjacentes; e mais do que centrar-se na acção, centra-se na construção dos personagens e de um cenário político e social que foi o Portugal salazarista. É interessante como o universo dos fugitivos, e a tensão que se instala nas suas relações interpessoais, podem ser encarados como um microcosmos do medo, das tensões e da desconfiança que, nessa época, estavam instalados à escala nacional. Interessante é também a forma como o desenrolar do enredo faz esbater a fronteira entre o lado supostamente "bom" e o lado supostamente "mau" - como Elias Santana (personagem magnificamente construído, enquanto indivíduo e enquanto elemento simbólico) nos vai cativando com a sua solidão melancólica de polícia desligado da política e unicamente dedicado à resolução do crime, e como Dantas Castro nos vai desgostando à medida que o nosso conhecimento se alarga das suas ideias políticas para a sua personalidade. A narrativa é fragmentada nos planos espacial e temporal, intercalando duas histórias: – a investigação levada a cabo por Elias Santana, que nos apresenta os pensamentos e reflexões do personagem e excertos dos interrogatórios e relatórios policiais; – os acontecimentos que envolvem os fugitivos, desde a evasão até à ocasião da morte de Dantas Castro, que nos são dados a conhecer sobretudo através dos depoimentos de Mena. Esta espécie de polifonia pode inicialmente ser estranhada pelo leitor, que tem de manter a concentração necessária para não perder o fio à meada. Não obstante o estilo geralmente seco da prosa, a ironia está sempre presente e há também momentos de uma beleza decadente, nostálgica e sombriamente poética, sobretudo quando a cidade de Lisboa ganha corpo e alma para evocar impressões e estados de espírito. Lisboa, esse vulto constelado de luzes frias do outro lado do rio, é um animal sedentário que se estende a todo o país. É cinzento e finge paz. [...] Mesmo abatido pela chuva, atenção porque circulam dentro dele mil filamentos vorazes, teias de brigadas de trânsito, esquadras da polícia, tocas de legionários, postos da GNR, e em cada estação dessas, caserna ou guichet, retratos de políticos que andam a monte. O perímetro da capital está todo minado por estes terminais, Lisboa é uma cidade contornada por um sibilar de antenas e por uma auréola de fotografias de malditos com o Mestre da Pátria a presidir. (p. 45) Desliza ao arrepio da febre pelo nocturno mais triste da cidade, Intendente, Socorro, Rua dos Fanqueiros. [...] Durante a viagem, e depois quando Elias sai do táxi, não olha uma única vez para a cidade que percorre de fastio como se ela fosse uma galdéria mal amanhada. (p. 140) Balada da Praia dos Cães foi adaptado ao cinema em 1987 por José Fonseca e Costa.

  3. 4 out of 5

    Sara Jesus

    Este é um livro diferente. Uma história peculiar. Um relato de uma investigação de homicídio. A vitima ( não tão vítima assim) é Luís Dantas Castro, ex- major do exército e envolvido num suposto golpe militar. Os suspeitos são Mena (a sua amante), o arquitecto Fontenova e o cabo ( ambos envolvidos nos planos do assassinado). Não é um policial surpreendente como os de Agatha Christie, em que o verdadeiro assassino é quase sempre alguém que não esperamos. Em "A balada da praia dos cães", que tem Este é um livro diferente. Uma história peculiar. Um relato de uma investigação de homicídio. A vitima ( não tão vítima assim) é Luís Dantas Castro, ex- major do exército e envolvido num suposto golpe militar. Os suspeitos são Mena (a sua amante), o arquitecto Fontenova e o cabo ( ambos envolvidos nos planos do assassinado). Não é um policial surpreendente como os de Agatha Christie, em que o verdadeiro assassino é quase sempre alguém que não esperamos. Em "A balada da praia dos cães", que tem este nome por o major ser encontrado num praia rodeado de cães, sabemos desde do seu início quem são os culpados. O que torna este romance diferente é pelo facto de ser narrado como uma verdadeira investigação policial, e o seu protagonista ser uma figura cheia de mistérios e vícios. Elias Santana, mais conhecido pelo o Covas, é o responsável por toda esta drama policial. A sua vida está rodeada de mortes e fantasmas. E parece ter uma estranha obsessão por Mena. Por último, esta obra leva-nos a um período negra da nossa história. O Estado Novo que controlava a vida da sociedade portuguesa através da PIDE. O que leva ao protagonista ver este crime como um crime político. Observa-se como esta polícia política está no centro de toda esta narrativa. São as suas acções que levam ao trágico fim de Luís Dantas C.

  4. 4 out of 5

    Ana

    Investigação criminal no seu melhor... "Tempo ao tempo. Mais depressa se apanha um assassino que um morto, porque, como dizia o outro, o morto voa a cavalo na alma e o assassino tropeça no medo." (pág. 13) Investigação criminal no seu melhor... "Tempo ao tempo. Mais depressa se apanha um assassino que um morto, porque, como dizia o outro, o morto voa a cavalo na alma e o assassino tropeça no medo." (pág. 13)

  5. 5 out of 5

    Marta Xambre

    2,4⭐ Finalmente terminei de o ler!! Confesso, sem qualquer sobranceria, que foi uma luta e uma caminhada muito difícil ler este livro... Contudo, não desisti, pois estava, permanentemente, com esperança de acontecer algo na minha rica pessoa que me fizesse prender à narrativa. Reconheço, indubitavelmente, o mérito do autor quanto à sua capacidade de escrita, porém não consegui gostar. Não me prendeu de todo, facilmente me desconcentrava e quando dava por mim lá estava eu a pensar no outro livro q 2,4⭐ Finalmente terminei de o ler!! Confesso, sem qualquer sobranceria, que foi uma luta e uma caminhada muito difícil ler este livro... Contudo, não desisti, pois estava, permanentemente, com esperança de acontecer algo na minha rica pessoa que me fizesse prender à narrativa. Reconheço, indubitavelmente, o mérito do autor quanto à sua capacidade de escrita, porém não consegui gostar. Não me prendeu de todo, facilmente me desconcentrava e quando dava por mim lá estava eu a pensar no outro livro que tinha para ler. Lamento muito por não ter apreciado a obra, na medida em que tinha muitos ingredientes para que eu gostasse desta iguaria, a saber: a época e o contexto social e político retratados , o enredo, e o sarcasmo tão presente na obra, são várias aspetos que me interessaram e agradaram, mas que não foram suficientes para o livro me conquistar. Porém, não desisti do José Cardoso Pires...

  6. 5 out of 5

    Luís

    Written in the period after the Carnage Revolution, this work situates the action in the early 1960s, portraying some aspects of Portuguese society in the middle of the Salazar dictatorship. The novel reports the investigation of a murder. The scenario is Portugal in the early 1960s, a crucial period for the fascist regime since the country had just lost its territories in India and the armed revolt in the African colonies had begun to spread. The book has two plots, one describing the investigati Written in the period after the Carnage Revolution, this work situates the action in the early 1960s, portraying some aspects of Portuguese society in the middle of the Salazar dictatorship. The novel reports the investigation of a murder. The scenario is Portugal in the early 1960s, a crucial period for the fascist regime since the country had just lost its territories in India and the armed revolt in the African colonies had begun to spread. The book has two plots, one describing the investigation and the other, constructed through the study of the crime. The protagonist of the first story is Elias Santana, a chief of the Judiciary Police charged with finding those responsible for the assassination of Major Dantas Castro. The Major, imprisoned for 'attempted military sedition', had escaped from the military fort with the help of three accomplices. Out of prison, they fled to a hidden house about twenty kilometres from Lisbon nicknamed 'Casa da Vereda'. Three months after his escape, the Major was murdered by his accomplices: Mena, a young woman with whom the Major had a violent and obsessive relationship before his arrest, the architect Fontenova and Corporal Barroca, a field guard doing his military job. The Major sees Mena as proof of his chauvinism, the sensitive intellectual Fontenova with contempt and the peasant Baroque as his servant. The four are hiding there waiting for a signal from lawyer Gama and Sá, their contact in the resistance who, it seems, wants to distance themselves from the Major. The reader watches the events in the house through the descriptions made by Mena in her testimony to Elias Santana. In her detention and methods used by Covas to interrogate her, the police procedures of that time described. The inquiry by Elias Santana aims to elucidate the second story, as is the case for a judicial police officer. However, his investigation reveals far beyond the simple events of the case, which ascertained. Accompanying its performance, we see a country where the truth, or history, is only the version of what happened that best serves power, imposed on the population. By following Elias in his investigations, the reader also dives into his life, empty and grey, with only one lizard for company. Through his pilgrimages to Lisbon shy of the years of fascism, and his interviews with suspects and witnesses about the case, we have a polyphonic vision of contemporary society. The book continually alerts the reader to the fact that a possible and plausible fiction written. This fact allows the book to classified as "historical metafiction".

  7. 5 out of 5

    tiago.

    "Atmosférico" é talvez a palavra que melhor descreve este livro. José Cardoso Pires transporta-nos para uma Lisboa dos anos 60, tingida com tons de filme noir, para este relato de uma investigação de assassinato baseada em factos reais. (view spoiler)[ A vítima é o Major Dantas Castro, membro de um movimento de resistência ao regime recém-escapado da prisão de Elvas, que aparece meio comido por cães na Praia do Mastro. O enredo alterna entre a investigação desenvolvida pela Polícia Judiciária, li "Atmosférico" é talvez a palavra que melhor descreve este livro. José Cardoso Pires transporta-nos para uma Lisboa dos anos 60, tingida com tons de filme noir, para este relato de uma investigação de assassinato baseada em factos reais. (view spoiler)[ A vítima é o Major Dantas Castro, membro de um movimento de resistência ao regime recém-escapado da prisão de Elvas, que aparece meio comido por cães na Praia do Mastro. O enredo alterna entre a investigação desenvolvida pela Polícia Judiciária, liderada por Elias Santana, o desenrolar dos eventos que levaram à morte do mencionado major, e a rotineira e deprimente vida pessoal do mencionado Elias, personagem central deste romance. Os interrogatórios e investigações em terreno acabam por desvelar a fuga do major para uma casa nos arredores de Lisboa com três companheiros de sedição: o cabo Barroca, o arquiteto Fontenova e a sua sedutora amante, Mena. O progressivo descenso do major para um estado de paranóia acaba por levar os três cumplices ao assassinato, por temor que ele os expusesse a eles e ao restante movimento de resistência às autoridades do regime. (hide spoiler)] Uma estrutura distinta e um estilo de escrita sui generis, direto, honesto, cru. Uma história de assassinato que mantém o leitor cativo, cheia de personagens com sabor a mistério. José Cardoso Pires foi uma agradável surpresa para mim, que pretendo repetir noutros livros deste autor.

  8. 5 out of 5

    Pedro Freitas

    A Balada da praia dos cães é de facto um livro importante para compreender um certo período da vida portuguesa do século XX. Com uma história em torno do homicídio de um resistente anti-fascista no inicio dos anos 60, a história é um retrato realista, fiel e sobretudo muito cru de um Portugal decadente, dominado por um regime claramente já a entrar nos seus últimos suspiros. E é sem dúvida esta a imagem que José Cardoso Pires melhor consegue desenhar ao longo de todo o livro, a visão de um Portu A Balada da praia dos cães é de facto um livro importante para compreender um certo período da vida portuguesa do século XX. Com uma história em torno do homicídio de um resistente anti-fascista no inicio dos anos 60, a história é um retrato realista, fiel e sobretudo muito cru de um Portugal decadente, dominado por um regime claramente já a entrar nos seus últimos suspiros. E é sem dúvida esta a imagem que José Cardoso Pires melhor consegue desenhar ao longo de todo o livro, a visão de um Portugal aparentemente moralizado, que não passa, contudo, de uma capa para uma Lisboa onde se passeiam prostitutas, bêbados e malucos que deambulam pelas tascas gordurentas e pegajosas de uma cidade que vai decaindo...tal como o país. E é este retrato tão bem construído que se sobrepõe ao crime descrito no livro. Aliás na trama principal Cardoso Pires parece que nunca consegue chegar de facto ao tom policial que talvez desejasse, ficando-se por um sucessão de descrições frias cheias de pormenores grotescos, das personagens e das diferentes cenas em que estas participam. Contudo sem dúvida um estilo para voltar a repetir em breve, talvez na sua obra-prima: o delfim ps: esta review estava há 4 dias para ser escrita, mas ando com o pecado mortal da preguiça! lol

  9. 4 out of 5

    Nuno R.

    Vi o filme antes (com o Raul Solanado brilhante como protagonista). E por algum motivo tinha adiado esta leitura. Ainda bem que li e depois continuei com mais um ou outro do José Cardoso Pires. Gostei muito.

  10. 5 out of 5

    Rosa Ramôa

    Investigação dum assassínio... A história começa com o relatório da descoberta,graças a alguns cães, dum cadáver enterrado numa praia...

  11. 4 out of 5

    Eloisa Louceiro

    Hum, este livro! Chamem-lhe intenso, ele é... e de repente passamos para Documento oficial: aos vinte e um dias do mês de fevereiro de dois mil e doze, reporta a dita cuja, que deu por terminada a leitura do livro acima mencionado com louvores e impaciências, e que no decorrer da última parte finalizadora se sentiu verdadeiramente emocionada e sentida pelo finalizar finalmente da supra citada e mais uma vez referida história. Os personagens são intensos e Mena, Mena fuma, fumou. Mena fumando. E pron Hum, este livro! Chamem-lhe intenso, ele é... e de repente passamos para Documento oficial: aos vinte e um dias do mês de fevereiro de dois mil e doze, reporta a dita cuja, que deu por terminada a leitura do livro acima mencionado com louvores e impaciências, e que no decorrer da última parte finalizadora se sentiu verdadeiramente emocionada e sentida pelo finalizar finalmente da supra citada e mais uma vez referida história. Os personagens são intensos e Mena, Mena fuma, fumou. Mena fumando. E pronto, é isto. Quer saber mais e perceber a intenção aqui da modesta opinante Elo? Leia. Mas não é fácil. Fica o aviso para quem se atrever.

  12. 5 out of 5

    Natacha Martins

    Tenho de confessar que este livro me custou imenso a ler. Sinto-me saturada e, parece que a minha cabeça entrou em greve, estando entrada/aquisição de novos conhecimentos sujeita a serviços mínimos. :) Ando com muito pouca paciência e sinto que a opinião com que fiquei deste livro reflecte exactamente isso. Achei o livro confuso, por vezes aborrecido e não houve uma única vez em que não adormecesse com ele nas mãos... Mas até gostei, não adorei, mas também não desgostei... :/ Não terá sido a mel Tenho de confessar que este livro me custou imenso a ler. Sinto-me saturada e, parece que a minha cabeça entrou em greve, estando entrada/aquisição de novos conhecimentos sujeita a serviços mínimos. :) Ando com muito pouca paciência e sinto que a opinião com que fiquei deste livro reflecte exactamente isso. Achei o livro confuso, por vezes aborrecido e não houve uma única vez em que não adormecesse com ele nas mãos... Mas até gostei, não adorei, mas também não desgostei... :/ Não terá sido a melhor altura para o ler, isso é certo, mas enfim, foi nestas condições e é nestas condições que vai ficar. Falando do livro que é para isso que aqui estamos. Em a Balada da Praia dos Cães, é relatada a investigação de um homicídio. A vítima é o Major Luís Dantas Castro, fugido da cadeia onde se encontrava por ter participado num golpe de estado. Os suspeitos, três pessoas, todas cúmplices na sua fuga da prisão: Filomena, a amante, o arquitecto Fontenova Sarmento, companheiro de fuga e o cabo Barroca, facilitador da fuga. Elias Santana é o investigador encarregue de desvendar este crime. Elias Santana, também conhecido por Covas, é uma personagem peculiar mesmo sendo uma personagem em todos os sentidos normalíssima, não deixa de ser uma personagem que desperta curiosidade e empatia. Gostei dele, dele e da Filomena. Filomena era amante da vítima, uns bons anos mais nova que o Major, dona de uma grande beleza e de uma personalidade forte. Surge neste relato como a personagem que nos conta o que se passou, de uma forma muito desprendida e desiludida. Filomena, ou Mena, era a obsessão de Dantas e acaba, ao longo da investigação, por ser tornar, de certa forma numa obsessão para Elias, um solitário. Inicialmente a personagem do Major Dantas surge como uma personagem por quem poderemos ter algum respeito, um revolucionário que morre prematuramente, um dos muitos homens e mulheres que lutaram pela liberdade do país. No decorrer da investigação, a nossa opinião acerca deste homem vai-se alterando e no fim o que sentimos é que, para além de detestável, o major era louco e, acabamos por perceber as razões que levaram à sua morte. Enfim, as melhores acções podem partir até de pessoas menos boas. ;) A acção passa-se na década de 60, em pleno Estado Novo, estando o livro cheio de referências à repressão e à actuação menos clara das autoridades. Aqui a PIDE é uma força omnipresente, curiosamente ridicularizada na voz de Elias Santana e do seu chefe. No entanto a influência que a polícia política tinha nas investigações da época é notória, particularmente por a vítima e os suspeitos estarem ligados a grupos de resistência anti-salazarista. O livro acaba por dar uma perspectiva da época que não é muito comum, a da polícia dita "normal" e que é interessante. O livro está escrito de uma forma original, pois inclui excertos dos interrogatórios e do que ficou escrito no processo de investigação e que se integram, de forma natural, na narrativa e na forma como o autor conta a história. Dilui-se assim, a linha que separa a ficção da realidade, tornando a investigação menos realista mas, ao mesmo tempo tornando a historia mais real. Gostei da forma que José Cardoso Pires encontrou de nos contar uma história que, não sei se é baseada ou não numa investigação real. O lado menos bom da questão foi o ter achado a história um pouco confusa, o que, fruto ou não da minha menor capacidade de concentração, não deixou de me afastar um pouco da história e, manter o interesse foi por vezes complicado. Concluindo, foi um livro que tive alguma dificuldade em ler mas que não deixei de achar bom e que me deixou com vontade de ler outros deste escritor português que nunca tinha lido. Por isso acho que é uma leitura que vale a pena e que recomendo. :)

  13. 5 out of 5

    Sílvia

    Quase que não acredito que tenho este livro há tantos anos e só agora lhe dei oportunidade. Uma espécie de film noir, em livro, com PIDE e revolução à mistura; a escrita linda e suja, quase que um Lobo Antunes de tasco (digo isto como elogio). Bom achado :)

  14. 5 out of 5

    João Vaz

    Um crime com contornos políticos, três suspeitos, e um agente astuto da judiciária, tendo como pano de fundo a decadência de Portugal no final do Salazarismo. Fantástico!

  15. 4 out of 5

    Vítor Leal

    O assassinato do ex-capitão de cavalaria, José Joaquim Almeida Santos, encontrado na praia do Guincho, em 31 de Março de 1960, foi noticiado pela miríade de jornais portugueses da época. Contornos políticos (oposição ao regime), ou outra motivação? O crime enquanto matéria criminal dá naturalmente origem a uma investigação e, por fim, a uma reconstituição, pondo termos de um policial: “Elias Chefe: Falas como um oráculo, mas a respeito de cães nunca te esqueças: a sombra do corpo passa, a sombra O assassinato do ex-capitão de cavalaria, José Joaquim Almeida Santos, encontrado na praia do Guincho, em 31 de Março de 1960, foi noticiado pela miríade de jornais portugueses da época. Contornos políticos (oposição ao regime), ou outra motivação? O crime enquanto matéria criminal dá naturalmente origem a uma investigação e, por fim, a uma reconstituição, pondo termos de um policial: “Elias Chefe: Falas como um oráculo, mas a respeito de cães nunca te esqueças: a sombra do corpo passa, a sombra do mijo fica. À sombra do mijo é que nenhum ladrante até hoje conseguiu escapar. Fiz-me entender?” (pág. 41). Investigação conduzida por Elias Santana, chefe de brigada da Polícia Judiciária. De estrutura polifónica, abundam declarações, autos, notícias dos jornais, notas de rodapé, técnicas de inquérito e relatórios compostos a jargão. Do exame pericial do cadáver de um desconhecido encontrado na Praia do Mastro em 3 de Abril de 1960, à reconstituição na Casa da Vereda, em Cascais, a fonte literária é o crime na sua dimensão universal. Do mesmo modo que as personagens são literárias, extraídas de elementos factuais, mas dominantes enquanto figuras sociais de uma época aqui marcada pelo medo e violência, não só nas hostes militares de oposição ao regime. No fundo estamos perante uma perspectiva alargada ficcional, um particular modo de observar o crime que vazou no Guincho, vinte anos após a ocorrência (o livro é publicado em 1982).

  16. 4 out of 5

    Paulo Morais

    Sempre achei graça ao título deste livro. Sempre, desde a minha infância, desde que aprendi a ler e cheguei aos livros que já me rodeavam. Esteve anos na estante até que peguei nele, há umas longas semanas. Soube que tinha sido premiado a nível nacional. À medida que lia e que achava a escrita de baixo nível mais curioso ficava pois queria perceber por que é um livro premiado. E descobri a razão. A escrita desinteressante é compensada pela narrativa não linear, ou pouco linear, e pela "informali Sempre achei graça ao título deste livro. Sempre, desde a minha infância, desde que aprendi a ler e cheguei aos livros que já me rodeavam. Esteve anos na estante até que peguei nele, há umas longas semanas. Soube que tinha sido premiado a nível nacional. À medida que lia e que achava a escrita de baixo nível mais curioso ficava pois queria perceber por que é um livro premiado. E descobri a razão. A escrita desinteressante é compensada pela narrativa não linear, ou pouco linear, e pela "informalidade" da mesma, o que lhe confere uma originalidade irreverente que acaba por ser correcta para o teor da história. Assim, esta não é mais uma simples história de um homicídio. Alguma caracterização do período histórico particular, o Portugal ditatorial dos anos 60, e das personagens é fascinante pela crueza e sinceridade. Uma descoberta interessante, sem dúvida.

  17. 5 out of 5

    Sofia

    Esta história de um assassinato, com presumidos contornos políticos em pleno Estado Novo, fez-me pensar imediatamente em policiais noir. É interessante, mas há alguns saltos no tempo e na lógica que o estilo de narração não ajuda nada a compreender. Senti-me perdida várias vezes, mas não desgostei de ler.

  18. 4 out of 5

    Rita Marques

    Muito aborrecido. Leitura pouco fluída. Interessante descrição e interpretação da realidade da época.

  19. 5 out of 5

    João Barradas

    Assassinato: haverá acto mais mórbido que suscite a curiosidade de uma sociedade de abutres, com faro para a putrefacção, hibridizada com a força constritora de qualquer jibóia? Com uma cultura da morte difundida, assiste-se então a uma necrologia pública, onde todos estão com a sua fotografia a preto e branco sobre as páginas dos jornais por estarmos meio mortos. Mesmo aqueles que comandam este inquérito judicial, revelado numa linguagem brejeira levada ao extremo, onde as diferentes dimensões e Assassinato: haverá acto mais mórbido que suscite a curiosidade de uma sociedade de abutres, com faro para a putrefacção, hibridizada com a força constritora de qualquer jibóia? Com uma cultura da morte difundida, assiste-se então a uma necrologia pública, onde todos estão com a sua fotografia a preto e branco sobre as páginas dos jornais por estarmos meio mortos. Mesmo aqueles que comandam este inquérito judicial, revelado numa linguagem brejeira levada ao extremo, onde as diferentes dimensões espaciais e temporais se imiscuem, sem aviso e de forma profana, comparando-se mesmo a confissão dada na sala de inquéritos à que é segredada no confessionário da religião. Oculto pelo registo criminal, esta parece não passar de uma história de amores e desamores entre os personagens revolucionários: um major que loucamente bajula uma revolta contra o regime e excomunga qualquer que não adira a essa causa; uma amante que suporta torturas inimagináveis, tentando manter a paz entre todos; uma arquitecto que, sabendo da loucura do outro, quase a partilha pela construção de mentiras; um cabo que sabe que a fuga nunca será possível, com a consequente corrosão interna. Mas ao desvelar este novelo emaranhado, revelam-se uma enorme quantidade de crimes decrepitantes que decorriam num Portugal censurado pela tentativa de lutar contra um regime totalitarista mas que mais não era que um rebuçado de prazer huxleuyano para comprar o silêncio de cada um. Os ideais revolucionários são pois abnegados por interesses pessoais de um louco mandrião que imagina complôs em tudo o que mexe. E, tudo se resume a um título oculto por um traço azul de censura: o ódio domina qualquer paixão; a areia é fracamente substituída pelo cotão da prisão; e os animais são os próprios homens e não os cães.

  20. 4 out of 5

    Mariana

    “Então como hoje ele sabia que na sua tragédia individual existiu uma parte-maior de erro coletivo; que as sociedades de terror se servem dos crimes avulsos para justificarem o crime social que elas representam por si mesmas e que em todos esses crimes a sua mão está presente, em todos.” “Tomou-as como um conselho que vinha dos tempos em que Deus ressuscitava os mortos para não dar trabalho à polícia.”

  21. 4 out of 5

    Adriana Pereira

    (I might write a review in english shortly at BL. If so, link will be provided.) PORTUGAL, Europe's Best Kept Secret, FLY TAP É assim que, sarcasticamente, começa e acaba Balada da Praia dos Cães, com um anúncio da companhia de Transportes Aéreos Portugueses retratando o país tal qual ilha tropical. O que a narrativa nos mostra é bem diferente. Estamos em Lisboa, ano 1960, em plena ditadura salazarista. "Lisboa, esse vulto constelado de luzes frias do outro lado do rio, é um animal sedentário que (I might write a review in english shortly at BL. If so, link will be provided.) PORTUGAL, Europe's Best Kept Secret, FLY TAP É assim que, sarcasticamente, começa e acaba Balada da Praia dos Cães, com um anúncio da companhia de Transportes Aéreos Portugueses retratando o país tal qual ilha tropical. O que a narrativa nos mostra é bem diferente. Estamos em Lisboa, ano 1960, em plena ditadura salazarista. "Lisboa, esse vulto constelado de luzes frias do outro lado do rio, é um animal sedentário que se estende a todo o país. É cinzento e finge paz. Atenção, Achtung. Mesmo abatido pela chuva, atenção porque circulam dentro dele mil filamentos vorazes, teias de brigadas de trânsito, esquadras da polícia, tocas de legionários, postos da GNR, e em cada estação dessas, caserna ou guichet, retratos de políticos que andam a monte. O perímetro da capital está todo minado por estes terminais, Lisboa é uma cidade contornada por um sibilar de antenas e por uma auréola de fotografias de malditos com o Mestre da Pátria a presidir." A acção começa com a descoberta do cadáver do major Dantas Castro, cadáver político daqueles que até as moscas fogem. O major estava, antes da sua fuga, encarcerado por uma tentativa de golpe de Estado. À frente da investigação, temos o chefe de brigada Elias Santana que partilha a sua vida solitária com o lagarto Lizardo e, a ser interrogada por ele, Mena, fumadora imparável e amante do Major que nos vai relatar os seus últimos dias. A narrativa vai ser assim composta pelo relato de Mena (e mais tarde, pelos relatos do cabo Barroca e do arquitecto Fontenova), vários e diversos relatórios policiais e pelos olhos de Elias Santana. É Elias o principal responsável por nos mostrar uma Lisboa coberta em tons cinza, com bêbados e prostitutas a deambular pelas ruas, uma cidade e um país a apodrecer diante de nós, um mundo que é "um grandecíssimo cadáver com moscas de vaivém para abrilhantar". Ao longo da investigação, Elias torna-se obcecado por Mena, fantasiando cada vez mais sobre ela. Durante os interrogatórios (eticamente questionáveis típicos daquela época), começa a fazer-lhe algumas perguntas desnecessárias à investigação acerca da sua relação com o major. O porquê das discussões ouvidas pelos vizinhos, o adultério, o esperma encontrado no carro, etc. Desconhecendo as intenções obscuras do chefe de brigada, Mena, na sua pequena cela, responde-lhe a ele, aos juízes, à polícia e a toda uma sociedade. Expondo o desviar de olhos à violência verbal e física sofrida por mulheres, o escândalo do adultério por parte das mulheres, o pudor pelo esperma do major em tantos outros locais para além do carro. Neste aspecto, é também importante a breve aparição da amiga de Mena, Maria, que nos diz: "Uma data de frustrados que até na cama têm medo da Censura". Mena, apagando o seu cigarro no cinzeiro de folha; Mena, acendendo o seu cigarro; Mena, com os seus pêlos de sovaco negros e agrestes, age com uma total indiferença à presença de Elias, o que parece provocar-lhe, de uma maneira doentia, ainda mais as suas nojentas fantasias. Ficamos assim com uma imagem miserável e triste da vida de Elias, sozinho em sua casa com as suas ineficazes ratoeiras. Precisamente, acaba o livro com Elias Santana a percorrer sozinho as ruas de Lisboa. Muita coisa fica por dizer acerca deste maravilhoso livro. Mas pode-se dizer que é um retrato cruel e genuíno da sociedade portuguesa a tentar sobreviver aos anos 60 com um trama policial adequado.

  22. 4 out of 5

    João Pedro Martins

    Li Cardoso Pires pela segunda vez, desta feita, Balada da Praia dos Cães (1982). Em género policial, à semelhança do que existe em O Delfim (1968), esta obra conduz-nos uma vez mais ao clima do Portugal ditatorial em que qualquer transgressão política dava direito a um severo castigo. Assim, trata-se do assassinato do ex-major Dantas Castro, indivíduo antissalazarista, que engendrava com seus cúmplices uma revolução e cujo cadáver havia sido depositado na Praia do Mastro. Neste cenário é-nos ap Li Cardoso Pires pela segunda vez, desta feita, Balada da Praia dos Cães (1982). Em género policial, à semelhança do que existe em O Delfim (1968), esta obra conduz-nos uma vez mais ao clima do Portugal ditatorial em que qualquer transgressão política dava direito a um severo castigo. Assim, trata-se do assassinato do ex-major Dantas Castro, indivíduo antissalazarista, que engendrava com seus cúmplices uma revolução e cujo cadáver havia sido depositado na Praia do Mastro. Neste cenário é-nos apresentado o protagonista, Elias Santana, chefe de brigada da PJ. É o responsável pelos interrogatórios conduzidos a uma das suspeitas, Mena. Pode dizer-se que é um pequeno vilão, mas com o qual não é difícil simpatizar. O interrogatório interminável que conduz a Mena é muito claro no que toca aos limites (ou falta deles) a que podia chegar-se nesse Portugal autoritário, sobretudo em crimes de cariz (alegadamente) político. Para além disso, pide e PJ fundiam-se numa só, praticamente, dado o clientelismo e bajulação a que a segunda cedia relativamente à primeira. Pondo de parte o enredo, faça-se o enfoque na construção da narrativa. Cardoso Pires torna a fazer uma fusão de estéticas neste seu romance: vai desde a prosa ao relatório, passando pelo texto científico. A leitura nestes moldes pode parecer mais complicada e obriga não poucas vezes a reler, todavia é uma releitura desafiante, que nos obriga a encaixar as peças deste homicídio, melhor dizendo: põe-nos no lugar de investigadores e de críticos da situação; a cada releitura, há uma peça do puzzle que se encaixa na nossa mente. Não deixa, contudo, de haver momentos mais fastidiosos, nomeadamente alguns referentes a introspeções de Elias. Em contrapartida, há passagens exímias, quer do narrador, quer das personagens e só por elas já vale a pena ler Balada da Praia dos Cães. Com uma destas passagens terminarei: «E no outro dia o pai juiz levou-o ao Tribunal da Boa Hora, que tem um nome bonito, Boa Hora, nós cá somos assim, a um lugar de sentenças chamamos-lhe de boa hora e um campo de cemitério dizemos que é dos prazeres. E depois na tal manhã, quando vinham do tribunal deram com aquilo. Ele, Elias pequeno, ficou a morder no dedo, desconfiado, mas o pai explicou-lhe que aquele velho acolá era um poeta que tinha morrido há muitos anos mas que não fazia mal, havia mais, poetas era o que não faltava na nossa História, um dia aprenderia.».

  23. 5 out of 5

    Antonio Coelho

    Não terminei....achei-o chato.

  24. 4 out of 5

    Gonçalo Ribeiro

    Personagens intensas, completas em defeito e virtuosidade. Numa altura cuja visão é polémica com o Salazarismo cada vez mais desgastado e a emergência cada vez mais clara de movimentos de oposição a verem a luz do dia, início da década de 60, o Chefe Elias, inspetor engenhoso, com antipatias visíveis e claras em relação à PIDE e aos jogos políticos que embrenhavam os órgãos policiais, investiga o assassinato dum major do exército português que fugira recentemente da prisão onde estava encarcerad Personagens intensas, completas em defeito e virtuosidade. Numa altura cuja visão é polémica com o Salazarismo cada vez mais desgastado e a emergência cada vez mais clara de movimentos de oposição a verem a luz do dia, início da década de 60, o Chefe Elias, inspetor engenhoso, com antipatias visíveis e claras em relação à PIDE e aos jogos políticos que embrenhavam os órgãos policiais, investiga o assassinato dum major do exército português que fugira recentemente da prisão onde estava encarcerado por motivos políticos. O major Dantas C. que lidera um pequeno e amador grupo de oposicionistas, e assume um carácter central na narrativa, vista do ponto de vista do Chefe Elias e face aos depoimentos dos suspeitos (os membros que incorporavam o seu grupo revolucionário, e sobretudo aos olhos de Mena, companheira de luta e amante), é ao mesmo tempo que um revolucionário, uma figura que personifica esse Portugal ditatorial: romântico, mas autoritário, de hábeis palavras misturadas com a força, machista, líder muitas vezes pela força, e até intolerante. É nesta dualidade que o autor nos embrenha numa história em que não só nem tudo é o que parece, como as personagens se envolvem nas próprias funções do narrador dando à história uma visão muito própria e realista. Nota 5 pela forma brilhante e excecional com que a história é conduzida e pela audácia do autor em trazer-nos um conflito em que facilmente percebemos que para se seguir alguém não basta que ela tenha razão no que diz, é preciso que essa mesma razão se possa medir nos seus atos.

  25. 5 out of 5

    Donald Schopflocher

    Really 4.5 stars. On one level, a murder mystery and the manner of its solution with many of the stock elements of noir; on another, an account of adaptation, successful and failed, to the Salazar dictatorship in Portugal. Probably a nightmare to translate, the novel is post-modernist and surreal, with a floating and often ambiguous point of view and focalization, with apparent third person narrative that becomes revealed as testimony, with frequent confusion between the principal character's ob Really 4.5 stars. On one level, a murder mystery and the manner of its solution with many of the stock elements of noir; on another, an account of adaptation, successful and failed, to the Salazar dictatorship in Portugal. Probably a nightmare to translate, the novel is post-modernist and surreal, with a floating and often ambiguous point of view and focalization, with apparent third person narrative that becomes revealed as testimony, with frequent confusion between the principal character's observations and his fantasies, with a jumbling of temporal sequencing using the device of a dossier, and gradually a realization that the author himself is complicit in withholding details from the reader that his characters know. In all, a mystery on many, many levels and an allegory about the difficulties of making sense and making connection in an uncertain and fear provoking world.

  26. 5 out of 5

    L

    Only Frank would recommend a book so hard to find. Since I was hooked before the end of the first page, he's forgiven. In fact, I'm surely in his debt. Portugal, 1960, a political killing. A good story with interesting characters, but hard to follow. Only Frank would recommend a book so hard to find. Since I was hooked before the end of the first page, he's forgiven. In fact, I'm surely in his debt. Portugal, 1960, a political killing. A good story with interesting characters, but hard to follow.

  27. 5 out of 5

    Filipa

    Uma descoberta interessante. Uma escrita pouco apelativa, mas um enredo bem construído e que convida a uma leitura descontraída. Boa leitura.

  28. 4 out of 5

    Howard

    This is a fictionalised account of a real murder in 1960s Portugal at a time of Salazar's dictatorship. It is told using interview and detective work transcripts by Inspector Elias Sanatana. Major Dantas escapes prison, being there for his group plotting against Salazar. He is discovered dead, rotting on the beach. It transpires he was hold-up in a house with Mena, his girlfriend, Fontenova the architect and corporal Barroca. They leave regularly to call the lawyer Gama e Sa and plan a move to Pa This is a fictionalised account of a real murder in 1960s Portugal at a time of Salazar's dictatorship. It is told using interview and detective work transcripts by Inspector Elias Sanatana. Major Dantas escapes prison, being there for his group plotting against Salazar. He is discovered dead, rotting on the beach. It transpires he was hold-up in a house with Mena, his girlfriend, Fontenova the architect and corporal Barroca. They leave regularly to call the lawyer Gama e Sa and plan a move to Paris. The secret police PIDE seem to have more information releasing some to Elisa. There is also discovered a variously underlined novel 'The Sea Wolf' which seems to be pivotal. The story is part detective story, part dictatorship shenanigans (one sees a lot in Latin American literature) and part love triangle. It felt reminiscent of News of a Kidnapping by GGM. I guess, like all detective stories and particularly given the stylistic approach, it is supposed to be intriguing delivering the punchline at the end and is none the worse for that; but for me perhaps the underlying story (fictionalised or otherwise) stood alone as good enough to be relayed in more standard linear prose like Llosa.

  29. 4 out of 5

    Paulo Teixeira

    (PT) Um dia, algures em 1960, uns pescadores descobrem numa praia um cadáver parcialmente comido por cães. A Judiciária parte ao encalço dos possíveis homicidas, mas descobre que o falecido era um evadido da cadeia por causa de atividades politicas, logo, o caso poderá cair nas mãos da policia politica, algo do qual eles não querem. E cabe a eles saber quem, como, quando e porquê. "Balada da Praia dos Cães" é um romance de José Cardoso Pires, onde de uma maneira quase pouco convencional, conta um (PT) Um dia, algures em 1960, uns pescadores descobrem numa praia um cadáver parcialmente comido por cães. A Judiciária parte ao encalço dos possíveis homicidas, mas descobre que o falecido era um evadido da cadeia por causa de atividades politicas, logo, o caso poderá cair nas mãos da policia politica, algo do qual eles não querem. E cabe a eles saber quem, como, quando e porquê. "Balada da Praia dos Cães" é um romance de José Cardoso Pires, onde de uma maneira quase pouco convencional, conta uma história que tem o seu quê de romance policial. Essencialmente é isso: uma balada policial, onde descobrimos em evadido e os seus cúmplices, que se refugiam numa casa à beira da praia e descobrem de como o evadido se torna num embaraço e como os seus cumplices se tornam nos seus carrascos. Tudo isto isto pelos olhos do inspector Elias Santana, aliás, "o Covas", onde entre delírios, sonhos e desejos, desenrola o caso. O livro é pouco convencional, mas é agradável de se ler. Não é muito denso, não é muito complicado, vale a pena a leitura. E se calhar, ate pode ser um bom ponto de entrada para conhecer um dos autores portugueses mais interessantes da segunda metade do século XX.

  30. 5 out of 5

    Henrique Justini

    Erigido sobre a experiência semiperiférica portuguesa em relação às nações centrais da Europa, Balada da Praia dos Cães revitaliza a tensão entre ficção e história, como se o próprio romance (e seus três narradores - narrador externo, narrador interno e narrador interno explícito) fosse uma reconfiguração contínua da experiência paralisante. É um livro sobre o medo do totalitarismo em suas ramificações mais profundas, sobre auto sacrifício (o lagarto Lizardo) e que abocanha o leitor em suas múlt Erigido sobre a experiência semiperiférica portuguesa em relação às nações centrais da Europa, Balada da Praia dos Cães revitaliza a tensão entre ficção e história, como se o próprio romance (e seus três narradores - narrador externo, narrador interno e narrador interno explícito) fosse uma reconfiguração contínua da experiência paralisante. É um livro sobre o medo do totalitarismo em suas ramificações mais profundas, sobre auto sacrifício (o lagarto Lizardo) e que abocanha o leitor em suas múltiplas subjetividades burocrata-estatais que se desmancham na marcha da humanidade - seja lá para onde for.

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